
Recompensas.
A Sonia indicou Rubem Alves para eu ler (ó que chique! Mudei a primeira frase... escrevi corretamente... viram? ODIEI!). Ainda não li, porque uma escola, com uma biblioteca considerável como a que trabalho NÃO TEM LIVRO DIDÁTICO! Achei uma caixinha com meia dúzia. Me resta esperar a Sonia terminar a leitura.
Hoje vinha dirigindo e pensando no quão pequenas são as recompensas diárias, porém, o que fica em quem recebe é inenarrável.
Vou explicar. Ou tentar. A leitura, por exemplo, gosto de ler besteirol. Livros sérios não me atraem. Talvez por necessidade eu os leia; ou por curiosidade.
Por que comecei a escrever? Por que aos 22 anos (se não me engano), ganhei um caderninho muito fofo da Cidinha, Nelsinho e Noelinha. O que fazer com aquele lindo caderno acolchoado e com fitas cor de rosa? Usar no dia a dia nem pensar! Era (e é) muito lindo! Um dia, sentei e pensei comigo: vou escrever minha vida! E tome a relatar o que lembrava de meus avos, e não tinha essa facilidade do Word não, era NO PAPEL e na CANETA. Um diário gigante!
O fato de ter sido uma exímia datilógrafa, (digitar com todos os dedos), faz de mim (e do meu querido Djou – Josué) uma raridade, num mundo todo informatizado onde até os mestres em computação digitam com 02 dedos, o que acho um desaforo! Hoje se contratam para trabalhar com documentos, com escrita, com elaboração de planilhas e relatórios, pessoas que não conseguem fazer “um “ó” com copo” (amo esta expressão!); não conhecem uma máquina de escrever, não sabem acentuar, não precisa ser mestre em gramática, mas ao menos saber consultar um dicionário, né gente? Alias, amo dicionário também!
Bem, voltemos ao que me trouxe aqui. Finalmente depois de umas 03 encarnações convivendo com a Sonia (sim, acho que ela é um dos meus karmas – pq tem que ter muita karma!!!) e falando a mesma coisa, ela cedeu. No fim de semana, conversando, mostrei um texto pra ela, quando leu disse que se parecia muito com trechos do livro que está lendo, onde o autor diz que não tá nem aí pra o dígrafo, pro hiato ou qualquer outra “gramaticalizaçao” que haja. Ele nunca parou pra pensar nisso. E não conheço o cara, mas na minha opinião se começarmos a escrever e toda hora voltarmos pra rever, vai ficar é muito chato, isso sim! Risos. E outra, você vai perder o fio da meada, ou vai perder o tesão do momento. Deixemos, portanto, eu e o Alves, que os menos favorecidos de espírito alegre, de riso e de vida em abundancia façam isso por nós! Que se matem e varem noites em claro, procurando as concordâncias, ou no caso de meu texto, a NÃO concordância; a falta de sentido das orações, as comparações esdrúxulas de situações e pessoas com sapatos e arvores. Daqui há mais uns 100 anos, vão ler e questionar a minha personalidade (rindo muito) dizendo, que: “se formos analisar profundamente a forma de escrever da senhorita "FULANA"(eu, veremos que há um traço em sua personalidade que denota claramente a sua insatisfação com isso ou com aquilo....blá blá blá”. Sim, porque as críticas a quem OUSA se mostrar, geralmente são destrutivas.
Pois eu digo a vocês, meus caros “gramatiqueiros”, “literários” e bisbilhoteiros de botequim, que isto VEM DA ALMA, ninguém SE TORNA nada. Ou você nasce assim ou você se aprimora; virar isso ou aquilo não existe. Você pode até querer, você pode até se especializar, mas se o escrever, o fazer rir, o fazer arroz, o ser feliz não estiver dentro de você desde sempre, você pode até ser um excelente profissional; mas totalmente oco! Pode ter toda a técnica, todo o conhecimento sobre, porem, há uma coisinha chamada “tato”, ou uma expressão muito usada hoje em dia que é “know how” (saber como), veja a matemática: você gosta de números, quer ensinar, adquire um mestrado e vai pra uma sala de aula. Você sabe exatamente do que você está falando mas não tem sintonia, não tem “liga” para prender a atenção do educando; isso torna a matéria (o assunto, a reunião, a conversa de botequim) insuportável (eu que o diga!); matemática é o óbvio, como o nome diz: é exata! Não há meio termo; o mestre sabe disso, mas como passar isso adiante? Há que se inventar novas técnicas ou “reinventar” as antigas, tornando o assunto gostoso. Assim como faz o Pasquale, assim como provavelmente faz o Alves que ainda não li, assim como faço eu, que não tenho pretensão nenhuma a não ser deixar um pouco sobre eu e meu tempo para a posteridade. Pensam que escrevo com algum intuito especifico? Nananina! Escrevo pra isso: FAZER PENSAR, implantar a dúvida, ajudar a questionar!
E muito me orgulha saber que minha amiga se espelhou em minha pessoa e no Alves (sei não... esse cara deve ser minha alma gêmea!), para finalmente COMEÇAR a escrever. Então aqui vai meu recadinho pra Sonia (e para todos que se atrevem VIVER):
Amiga, bem vinda ao mundo mágico das letras. Sua datilografia não é lá essas coisas, mas como te digo a milênios, é uma questão de treino.
não se intimide por eu, ou A ou B, sermos mais rápidos que você no teclado (rs);
não se intimide por que não sabe se o correto é estupefada ou estupefata pq se o seu corretor do micro não grifar a palavra e mesmo assim você tiver dúvidas, deixe sempre o “Aurélio” por perto; pois os corretores ortográficos nem sempre estão corretos, e nem sempre o que está correto é o que queremos passar, certo?
depois dessa confusão toda de correto e corretor, digo ainda:
não se intimide pela demora e nem em ler o parágrafo acima pra ver se “combina” com o de baixo... deixe fluir! Você entendeu o que escreveu e ao que (ou a quem) estava se referindo? ÓTIMO! Já deu seu recado! A não ser que você esteja escrevendo algo especifico para pessoas específicas. Claro que se estiver montando um projeto, terá que seguir um padrão, ABNT’s, se estiver digitando um ofício, um relatório, não poderá colocar sua peculiaridade na escrita e sim o que se pede numa escrita “oficial”; mas se for pra divagar: MANDA BALA, MINHA FILHA! E FLORA-SE os outros! risos.
não se intimide diante dos olhares de desdém, diante do copo de água com um comprimido de tegretol, nem diante daquela blusinha geralmente branca onde as mangas são cruzadas na frente e amarradas para trás! (kkk)
não se intimide quando um disser que “você tá se achando!” – e está mesmo! – não é esta a existência? Uma eterna busca? Que bom que você tá se achando...! e que não se encontre tão cedo, porque quando você se encontrar não precisará de mais nada, e deve ser muito triste não buscar, portanto: SE ACHE!E muito menos se intimide comigo, não sou sua concorrente ou rival, sou sua amiga! Vou rir muito, vou “tirar legal”, vou corrigir muito e vou estar satisfeita em saber que temos ainda, apesar de você reclamar, muito para usar como tema nos sábados, temos ainda, muito a resgatar, a alegrar.
E não somos motocicletas (que não tem marcha à ré!). É SÓ COMEÇAR!!!